Eis aqui uma das mais belas poesias do grande poeta chileno Pablo Neruda, e não podia ser de outra coisa que não a nossa amada bicicleta. O poeta sabia como ninguém escolher as palavras. Aproveitem este momento.
Oda a la bicicleta (Pablo Neruda, 1956)
Iba
por el camino
crepitante:
el sol se desgranaba
como maíz ardiendo
y era
la tierra
calurosa
un infinito círculo
con cielo arriba
azul, deshabitado.
Pasaron
junto a mí
las bicicletas,
los únicos
insectos
de aquel
minuto seco del verano,
sigilosas,
veloces,
transparentes:
me parecieron
sólo movimientos del aire.
Obreros y muchachas
a las fábricas
iban
entregando
los ojos
al verano,
las cabezas al cielo,
sentados
en los
élitros
de las vertiginosas
bicicletas
que silbaban
cruzando
puentes, rosales, zarza
y mediodía
Pensé en la tarde cuando los muchachos
se laven,
canten, coman, levanten
una copa
de vino
en honor
del amor
y de la vida,
y a la puerta
esperando
la bicicleta
inmóvil
porque
sólo
de movimiento fue su alma
y allí caída
no es
insecto transparente
que recorre
el verano,
sino
esqueleto
frío
que sólo
recupera
un cuerpo errante
con la urgencia
y la luz,
es decir,
con
la
resurrección
de cada día.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Roland Barthes
"
No fundo, o que encaro na foto que tiram de mim ( a "intenção"
segundo a qual eu a olho) é a Morte: a Morte é o eidos dessa Foto.
Assim, estranhamente, a única coisa que suporto, de que gosto,
que me é familiar, quando me fotografam, é o ruído da máquina.
Para mim o orgão do fotógrafo não é o olho (ele me terrifica),
é o dedo: o que está ligado ao disparador da objetiva,
ao deslizar metálico das placas (quando a máquina ainda as tem).
Gosto desses ruídos mecânicos de uma maneira quase voluptuosa,
como se, da fotografia, eles fossem exatamente isso - e apenas isso -
a que meu desejo se atém, quebrando com seu breve estalo
a camada mortífera da Pose.
Para mim, o barulho do Tempo não é triste: gosto dos sinos,
dos relógios - ...
"
Roland Barthes
No fundo, o que encaro na foto que tiram de mim ( a "intenção"
segundo a qual eu a olho) é a Morte: a Morte é o eidos dessa Foto.
Assim, estranhamente, a única coisa que suporto, de que gosto,
que me é familiar, quando me fotografam, é o ruído da máquina.
Para mim o orgão do fotógrafo não é o olho (ele me terrifica),
é o dedo: o que está ligado ao disparador da objetiva,
ao deslizar metálico das placas (quando a máquina ainda as tem).
Gosto desses ruídos mecânicos de uma maneira quase voluptuosa,
como se, da fotografia, eles fossem exatamente isso - e apenas isso -
a que meu desejo se atém, quebrando com seu breve estalo
a camada mortífera da Pose.
Para mim, o barulho do Tempo não é triste: gosto dos sinos,
dos relógios - ...
"
Roland Barthes
amanhecer azulado
"Trecho tirado da autobiografia de um músico de jazz:
Uma noite, depois do último número, um sujeito baixinho apareceu no meio da fumaça do Biltmore Ballrrom. Era um homem baixo e meio acabado, trazia uma caixa surrada e dentro dela um trompete surrado. Perguntou a Doe se podia sentar conosco e tocar junto, e Doe disse que tudo bem. Era assim naqueles lugares, nesses tempos inesquecíveis e muito acelerados de jazz cru e animado. Daí o sujeito tirou o trompete surrado da caixa e, por duas horas, tocou labirintos milagrosos de harmonia. que teriam feito os anjos chorar de emoção. Depois guardou o trompete surrado na caixa surrada e saiu no amanhecer azulado de Chicago. O nome dele era Bertolt Brecht."
"Jack Kerouk, Viajante Solitário".
Uma noite, depois do último número, um sujeito baixinho apareceu no meio da fumaça do Biltmore Ballrrom. Era um homem baixo e meio acabado, trazia uma caixa surrada e dentro dela um trompete surrado. Perguntou a Doe se podia sentar conosco e tocar junto, e Doe disse que tudo bem. Era assim naqueles lugares, nesses tempos inesquecíveis e muito acelerados de jazz cru e animado. Daí o sujeito tirou o trompete surrado da caixa e, por duas horas, tocou labirintos milagrosos de harmonia. que teriam feito os anjos chorar de emoção. Depois guardou o trompete surrado na caixa surrada e saiu no amanhecer azulado de Chicago. O nome dele era Bertolt Brecht."
"Jack Kerouk, Viajante Solitário".
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Hora do rush numa ciclovia na Holanda...
mais videos sobre: http://www.youtube.com/watch?v=0q-ej1eihoU&feature=BFa&list=UU67YlPrRvsO117gFDM7UePg&lf=plcp
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A insustentável leveza do ser
Um livro marcante pra ser lido várias e várias vezes...
Kundera entrevê na noção de Eterno Retorno da filosofia nietzscheana a escapatória para o arrependimento que pode decorrer da escolha entre a leveza e o peso, o comprometimento e a liberdade pura.
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Insustent%C3%A1vel_Leveza_do_Ser
"Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, nossas vidas, sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda sua esplêndida beleza."
O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem damais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. ...
Por outro lado, a ausência total do fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre,...
Então, o que escolher? O peso ou a leveza?"
Viva Tomás, Sabina e Tereza.
Kundera entrevê na noção de Eterno Retorno da filosofia nietzscheana a escapatória para o arrependimento que pode decorrer da escolha entre a leveza e o peso, o comprometimento e a liberdade pura.
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Insustent%C3%A1vel_Leveza_do_Ser
"Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, nossas vidas, sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda sua esplêndida beleza."
O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem damais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. ...
Por outro lado, a ausência total do fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre,...
Então, o que escolher? O peso ou a leveza?"
Viva Tomás, Sabina e Tereza.
em slow motion...

Férias se esgotando... retorno à cidade fria e cinzenta, às vezes com seus sóis calorentos e seu rítmo em "slow motion".
Quinze dias vivido exaustivamente com situações novas em cada lugar cambaleante que se cruza.
Apenas uma bicicleta, algumas coisas e os escritos de um livro me acompanhavam na redescoberta desse novo e velho mundo pelas ilhas perdidas num litoral distante, onde o movimento, a aterrisagem, o embarque e o desembarque não cessam... e onde tudo acontece num rítmo aceleradamente confuso.
Cada canto uma paisagem
Cada paisagem uma intensidade
Cada intensidade uma viagem
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